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Daily Routine by Cristina Ferreira

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Daily Routine by Cristina Ferreira

17
Jan18

Mãe? Egoísmo vs. Orgulho!


Cristina Ferreira

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Sou uma mãe egoísta! Não só por vezes me apetece parar o tempo pois não quero que os meus meninos cresçam, como também não quero que se tornem autónomos e independentes: quero que precisem sempre de mim! Quero ser útil e continuar a deles cuidar! Sim... Vergonhoso, mas é verdade!

 

No que às pequenas tarefas do dia a dia diz respeito, só no verão passado me apercebi que o meu menino grande tem 15 anos! De repente entrou para o 10º ano e para mim foi como um soco no estômago, um cair na realidade! Passei o verão a repetir: 15 anos, 15 anos, 15 anos...

 

Para além das minhas habituais divagações sobre como foi possível o tempo passar tão rápido, dei comigo a lembrar e comparar todas as coisas que eu já fazia com 15 anos: ajudava a cozinhar, ajudava a arrumar a casa, tratava da minha roupa... Ele? Bom confesso que muito pouco ou quase nada... No início deste ano letivo, finalmente percebi que as coisas tinham de mudar...

 

Há pequenas tarefas que ele faz de boa vontade, outras que vai adiando na esperança que eu faça... Aliás aos meus pedidos de ajuda na arrumação, aprendeu a responder com a expressão: "Sabes mamã, às vezes eu não arrumo logo e mesmo assim aparece no armário! Parece que vem um anjo e arruma..." Sim eu sei: é pura chantagem emocional, mas sabe tão bem, não sabe?

 

Seja como for são 15 anos e em abril serão 16... Meu Deus, em Abril 16?? Como é possível, já 16 anos??! Ok! STOP mamã! Para com isso mamã!... 

 

Dizem que eu penso demais... É verdade: sempre tive esse vício! Quando eram pequeninos e, saíamos para passear ou entravamos num local novo, eu avaliava minuciosamente e nos primeiros segundos todas as possibilidades de acidente: os pontos dos quais não se poderiam sequer aproximar, os pontos dos quais poderiam mas só se não largassem a minha mão e os tranquilos pontos estratégicos onde estariam bem seguros!

 

A cada mudança eu pondero e pondero demais! Avalio com cuidado também a repercussão que os disparates que por vezes digo ou faço possa ter neles... Incapaz de impor regras rígidas, sempre optei por educar pelo exemplo. Se o "Se faz favor..." e o "Obrigada!" eram imperativos, também o era o "Desculpa!" quando errava... 

 

Quanto às tarefas: decidi dividir. Por exemplo, o pequeno almoço sirvo eu, o lanche preparam eles... Bom confesso que o lanche nem sempre, mas quem resiste a um: "Mamã por favor, podes pôr tu a manteiga? Pões com tanto amor e carinho que sabe melhor..." Já a roupa alternamos, às vezes dobro eu, às vezes dobram eles... Mas nos quartos não há excepção: aí são sempre eles!

 

Sei que aos poucos vão aprender a fazer tudo sozinhos, mas até lá, será que é muito grave se eu continuar a tratar de algumas coisas e serei perdoada se tudo fizer com muito amor e carinho? 

 

Quando às vezes vou para fazer e já fizeram ou quando algo que eu deixei fora do lugar já encontro arrumado, não posso evitar sorrir... Foram eles! Os meus meninos estão a crescer, estão a aprender a ser independentes e eu fico tão orgulhosa!

 

 

 

15
Jan18

Olhar o mar.. ou amar?...


Cristina Ferreira

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Por mais teorias que se inventem sobre a importância da solidão e o aprender a viver sozinho, continuo a achar que é tudo treta e que na verdade poucos são os que gostam, querem ou conseguem estar sempre sós!

 

Separei-me há 8 anos atrás... Inicialmente, e apesar da inevitável dor causada pela separação, adorei a sensação de liberdade novamente adquirida! Ao meu lado, a absoluta certeza de que só sozinha conseguiria caminhar em direção à tão buscada felicidade! "Todo o espaço e tempo disponíveis na minha vida são agora só para mim e para os meus filhos!" pensara eu, e com convicção, na altura... Doce ilusão!

 

Se os esporádicos fins de semana sem os meus meninos até se foram tornando suportáveis, as férias não! Foi aliás nas primeiras férias em que eles partiram com o pai, e apenas durante uma semana seguida, que eu senti, pela primeira vez, que um dia eles iriam partir para sempre e que para sempre eu iria ficar sozinha!

 

Foi aí que começou a minha luta com o tempo, foi aí que eu percebi que o tempo voaria e foi aí que eu percebi que eles iriam crescer a uma velocidade que eu jamais iria conseguir controlar!

 

"Ainda és jovem! Ainda és bonita! Logo casas outra vez!" repetiam à minha volta... Mas eu só pensava: "E os meus filhos? Como se introduz uma nova pessoa na vida deles sem ocupar espaço? Como posso eu sequer ter tempo, "concentração" ou até "disposição" para um relacionamento sem roubar o tempo deles?..."

 

Eu sei, eu sei! Dirão as mães mais práticas e experientes que eu penso demais! E sim, talvez seja verdade... Mas os meus filhos são os meus filhos e, digam o que disserem, façam o que fizerem, os meus filhos foram e serão sempre a minha prioridade... Pelo menos enquanto eles assim o desejarem... E sim, friso: "assim o desejarem" pois sei que isso está e vai continuar a "mudar"... E, foi e é, esse "mudar" que me permitiu começar a sentir e a usufruir de "alguma liberdade"...

 

Inicialmente, quando eles partiam de férias, eu tentava sair, divertir-me e até conhecer novas pessoas.... Mas quando eles voltavam, eu sentia-me novamente completa e preenchida e, uma pessoa nova que tentasse entrar num mundo que só a nós os três pertencia, tornava-se inevitavelmente, e a curto prazo, um invasor mal recebido!

 

Um dia decidi que bastava: ia seguir à riscas as teorias da solidão e que se lixasse quem me queria voltar a casar! Não adiantava eu tentar enganar-me: os meus filhos eram o centro da minha vida e ninguém ia conseguir entrar para ficar! Confesso que começou por correr bem ... Mas aí conheci o meu M.!

 

O meu M. foi diferente... Não pressionou, não exigiu, não invadiu... Aceitou e admirou a mãe que eu era, a mãe que eu sou e a mãe que eu, espero, continuarei a ser... Mas nesta que é, quiçá, uma fase de transição, em os meus meninos já não me "querem" a tempo inteiro e são os primeiros, ao domingo à tarde, a "despachar-me" com um carinhoso: "Vai mamã! Vai ter com o teu M.!" para assim poderem ficar tranquilos a jogar on-line com os amigos, agora sim, eu vou sem remorsos e sem culpa... Deixo a mamã em casa e levo apenas comigo a Cristina que sente que já tem o direito de voltar...

 

Há uns anos atrás, quando ainda vivíamos, em família, em Viana do Castelo, íamos frequentemente os quatro passear à beira mar. Com o meu, na altura, ainda marido observávamos perguntando-nos, sem conseguir entender, qual seria o prazer de ficar apenas dentro do carro a olhar o mar... Gozávamos dizendo que, aquele ato repetido por ocupantes de inúmeros carros estacionados alinhados, lado a lado, ao longo da praia, devia ser alguma elaborada e enraizada tradição Vianense!

 

Ontem fui com o meu M. à beira mar. Estava vento e ficámos no carro. Lembrei-me de Viana percebendo que, num casamento, ou numa vida em que já não se é feliz, se quer mais e sempre mais: sair, passear, fazer mil e uma coisas para disfarçar e ocultar a infelicidade que vai chegando e se instalando... 

 

Às vezes sinto-me a oscilar entre dois mundos... Num ainda sou só a mamã, noutro volto aos poucos a ser também a Cristina... Uma Cristina que agora até consegue, num domingo à tarde, ficar feliz, quentinha no carro à beira mar, simplesmente a olhar o mar ... e a amar... 

11
Jan18

Ter um filho é um ato de egoísmo...


Cristina Ferreira

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Passei há uns tempos por um blog de uma mulher que se questionava sobre ter ou não ter filhos. Após leitura de alguns dos seus posts percebi que a decisão no casal já estava tomada. Ela ainda tinha algumas dúvidas pois os textos do blog transmitiam como que um pedido de socorro, uma urgente necessidade de aprovação de que a decisão tomada era a mais correta... Apesar de talvez, no fundo do seu coração, ela própria saber que queria mais...

 

Com o marido haviam decidido que não deviam ter filhos por causa da instabilidade e incerteza que hoje em dia no mundo se vive, pois esta leva inevitavelmente à crença de que qualquer nova criança que nasça virá certamente a sofrer...

 

O telefone tocou, eu fechei a janela do blog e não a segui, nem tive tempo para comentar... Quando mais tarde voltei aos blogs já não a consegui encontrar.

 

Identifiquei-me com algumas das suas palavras. Desde que me lembro de mim que sonho ser mãe e ter uma grande família. Cresci com um irmão rapaz e sentia falta de mais companhia. Desde tenra idade que o meu sonho de familia ideal eram 4 filhos! Por diversas razões, fiquei pelos dois, mas como costumo dizer, tenho dois que valem por quatro!

 

Por volta dos meus 20 anos senti, no entanto, aquela mesma preocupação... Todos nós temos momentos em que nos sentimos infelizes, perdidos, desorientados... Senti nessa altura que ter um filho poderia ser um ato de egoísmo... Criar um novo ser apenas para nosso deleite pessoal, sem termos a possibilidade de lhe garantir que será para sempre feliz é egoísmo...

 

Casei aos 25 anos e aos 27 já não consegui continuar a fugir ao chamamento do meu relógio biológico... Tomámos a decisão, fiz os exames necessários, primeira tentativa e no mês seguinte estava grávida! A gravidez correu bem, o meu bebé nasceu perfeito e de um parto sem qualquer complicações. Dois anos depois nova gravidez, mais uma vez sem problemas e mais um bebé saudável!

 

Se me continuei a questionar? Para mim, os meus filhos foram e são a melhor coisa que me aconteceu... Para eles? Sim, até hoje são felizes... Se o vão ser para sempre? Não sei...

 

Mas sei que a responsabilidade da decisão foi minha... Quando um dia os vir sofrer, quiça por causa da instabilidade, por amor, por doença ou por dúvidas existênciais, sim vou certamente sempre lembrar-me que a decisão de os ter foi minha! Fui eu que egoisticamente decidi ter 2 filhos... Sim ter um filho é um verdadeiro ato de egoísmo...

 

10
Jan18

The Gaming Disorder...


Cristina Ferreira

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Imagem www.independent.co.uk

  

"Semanalmente, milhares de mesas são vítimas de agressão por parte de jogadores descontrolados! E nenhum tipo de mesa lhes escapa: secretárias, mesas de centro de sala, mesas de jantar, mesas de cozinha e até mesas de cabeceira! Basta para isso estarem à mão, ou ao pé, de receber quando a frustração de perder o jogo chegar!"

 

Este parágrafo não foi obviamente transcrito de nenhum jornal famoso nem escrito por nenhum psiquiatra mundialmente reconhecido! Foi apenas a piada que o meu descendente mais jovem inventou para acalmar a minha preocupação quando há pouco falámos sobre a recém chegada GAMING DISORDER... Mas vamos por partes....

 

Quem sou eu para falar de GAMING? Sou apenas uma mãe e, como provavelmente grande parte das mães da minha faixa etária, não compreendo nada de jogos "modernos"! Aliás as minhas humildes experiências com jogos "modernos" limitam-se ao clássico TETRIS, à loucura pelo Farmville que mais tarde substitui pelo Hay Day e às horas perdidas a jogar Candy Crush... Conheci, alimentei e até joguei alguns jogos do pequeno POU... E no verão passado joguei o Palavra Guru!

 

Tudo joguinhos saudáveis: eram jogos "lentos" e sem pressão, sem qualquer competição e a interação on-line, quando existia, acabava por ser de cooperação. Tudo saudável, certo? Atire a primeira pedra quem nunca jogou!

 

Mas há os outros jogos: os que eu não conheço, os que mesmo que eu conhecesse seria incapaz de jogar... O GAMING é para mim um mundo à parte! E não falo só dos jogos mas de tudo o que gira à volta do mundo GAMING: desde a linguagem específica altamente estruturada que nem me atrevo a utilizar (apesar de muitas expressões já me terem sido explicadas dezenas e dezenas de vezes), à enormíssima panóplia de acessórios disponíveis nas lojas de tecnologia.

 

O GAMING é certamente um negócio altamente lucrativo! A primeira vez que numa Media Market me aproximei da secção GAMING, veio-me à cabeça a expressão Killer d'adolescents! À disposição das carteiras mais recheadas encontram-se em exposição vários artigos de estética agressiva e colorida: sofisticados computadores GAMING, assustadores ratos GAMING, luminosos teclados GAMING, potentes head phones GAMING, e, entre outros, as minhas prediletas: as fabulosas cadeiras GAMING! Cadeiras cujo design altamente robusto e agressivo parecem saídas de um filme de ficção cientifica e são certamente acessório de topo para completar a decoração de qualquer quarto de adolescente! Tudo idealizado ao pormenor para criar um universo onde ficar presos, com muito glamour e estilo, o dia inteiro!

 

Se antigamente a preocupação dos pais eram os filhos adolescentes que queriam sair de casa e tranquilos ficavam os pais cujos filhos em casa ficavam, nos dias de hoje um adolescente em casa é muitas vezes sinónimo de adolescente agarrado ao computador, ao tablet ou ao telemóvel! GAMING...

 

2018 começou com o reconhecimento pela World Health Organisation da GAMING DISORDER: transtorno mental causado pelo vício em vídeo-jogos. Fiz uma pesquisa para perceber mais um pouco... E, por exemplo, neste artigo Gaming addiction classified as disorder by WHO a BBC ainda realça: "According to an Oxford University study, boys are more likely to spend time gaming than girls."  

 

Sendo mãe de dois rapazes adolescentes que sempre deixei jogar, confesso que fiquei preocupada... Deixei jogar não só porque parecia inofensivo mas, e reconheço, porque assim eles estavam ocupados e eu tinha tempo para fazer as minhas coisas...Mea culpa... 

 

Nós, mães e pais do século XXI, estávamos preparados para alertar para aquilo que achávamos ser os perigos na nossa adolescência: álcool, tabaco, drogas, cuidados a ter ao iniciar a vida sexual. Não existiam as redes sociais, mas é puro bom senso saber alertar sobre perfis falsos... Agora a GAMING DISORDER? Dá que pensar... 

 

 

03
Jan18

Hoje? Regresso e euforia matinal!


Cristina Ferreira

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Hoje o dia começou com uma louca euforia matinal devido ao, por mim tão esperado, regresso à rotina! Sim: EUFORIA matinal!! Sim: tão ESPERADO regresso à rotina!! Finalmente acabaram as férias escolares e os meus meninos voltaram!

 

Fui buscá-los ontem ao aeroporto. Aprendi a detestar aeroportos, se é que isso se pode aprender, se é que se pode detestar aeroportos! Aquela multidão eufórica a partir ou a chegar e eu ali, algures pelo meio, sozinha... A sentir-me triste e abandonada quando os vou levar... Ansiosa e com receio quando os vou buscar...

 

Às vezes pergunto-me se as mães não divorciadas, aquelas "felizardas" que têm a sorte de ter os filhos com elas o ano inteiro, se questionam tanto como uma mãe divorciada... Apesar de eu saber que o risco é mínimo, aliás na verdade e no nosso caso, totalmente nulo, pergunto-me sempre, quando estão fora e antes de regressarem, se não me irão desta vez pedir para mudar permanentemente para casa do pai...

 

Quando chego ao aeroporto, fico ali parada, qual barata tonta, junto à Saída das CHEGADASbalançando o meu olhar entre o placard e multidão que vai chegando...

 

Landed... O avião dos meus meninos aterrou às 13h33... Quase 10 minutos de atraso... Examino os rostos que vão saindo procurando as suas feições familiares... O meu coração de mãe acelera... E se desta vez me olharem fria e inexpressivamente? E se for desta vez?... Verdade que eu falei com eles todos os dias... Mas foram sempre tão curtas conversas e em tão breves minutos pois estavam sempre tão ocupados!  E se desta vez não trouxerem carinho nem afeição no olhar? 

 

Não, isso nunca aconteceu e obviamente ontem também não! Recebi os sorrisos carinhosos e os abraços calorosos de sempre! Na viagem de volta, narraram aventuras das férias e ao chegar a casa voltaram para a rotina habitual como se nada tivesse acontecido... Como se não tivessem partido... Como se não tivessem voltado...

 

De onde vem o meu medo afinal? Da consciência de que tudo tem um fim?... Das histórias que ouço sobre divergências entre pais divorciados que afinal em nada se assemelham com o nosso caso? Ou simplesmente do sentimento de que quando vão para tem não só o Natal e o Réveillon, mas a vida que eu sempre sonhei para eles... mas sem mim...

 

23
Dez17

O espírito de Natal conseguiu finalmente apanhar-me!


Cristina Ferreira

 

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Ora bolas! Decido eu vir correr à beira mar para fugir do Espírito de Natal e não é que é precisamente aqui que o maroto me consegue finalmente alcançar! 

 

Tenho por hábito alongar perto de um bar.  Quando há pouco parei, estava a tocar uma daquelas minhas eternamente preferidas músicas de Natal...

 

"Mariah Carey - All I want for Christmas is you",  lembrança de uma adolescência romântica, agora transformada em hino à maternidade!

 

Ao alongar ao som familiar das ondas decorado pelo das músicas de Natal que continuou a chegar-me do bar, dei comigo finalmente a sorrir ao pensar no Natal... recordando momentos especiais dos meus Natais passados...

 

Sim tenho saudades dos meus meninos e sem eles não é Natal, mas saber que os tenho, tive e sempre terei... Isso sim é, foi e será sempre o meu maior presente de Natal...

 

A todos um FELIZ NATAL!!

 

 

19
Dez17

A mamã também sente raiva!!!


Cristina Ferreira

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 Inside Out - 2015 Disney Pixar - Anger Exploding

 

 

Nunca consegui compreender o que pretendem exatamente dizer as pessoas que, ao saber que os meus filhos foram de férias com o pai, me abordam e com toda a convicção me lançam frases do tipo: "Oh os teus filhos foram para o pai! Que sorte! Vais ter mais tempo para ti!" Estou separada há quase 8 anos e há quase 8 anos que repetidamente ouço este tipo de expressões de consolo, a meu ver, totalmente inapropriadas! 

 

Sorte? Como pode ser sorte entrar numa casa vazia?! Como pode ser sorte as birras serem substituídas por silêncio absoluto! Como pode ser sorte não ter beijinho de bom dia, nem beijinho de boa noite?! Como pode ser sorte não ter ninguém para me chatear porque quer ver mais um vídeo no Youtube em vez de se ir deitar?! Como pode ser sorte não ter de chamar 10 vezes para ir jantar??? E por aí adiante... Chega de divagar! Julgo que estes breves exemplos são suficientes para uma exposição obvia e detalhada do meu não conceito de sorte!

 

Sob pena de ser massacrada, vou ousar expor a minha opinião sobre a maternidade: a maternidade é o compromisso de uma mãe para a vida! Não é o filho que vêm bater à porta da mãe e perguntar: "Olá! Eu sou um filho! Queres ser a minha mãe?!" Exceção obviamente para gravidez não planeada, normalmente é a mãe que sentindo o "apelo do seu relógio biológico" decide conceber o filho...

 

Há quem adote um animal de estimação, se canse e o abandone! É cruel, é desumano! Há quem queira muito ter filhos, se sinta cansada e vá passando a responsabilidade... Nada me irrita mais, e sim estou mesmo a escrever IRRITA, do que mães acabadas de o ser que já se queixam de não ter tempo para elas procurando delegar para os pais, avós ou afins... a responsabilidade de tomar conta do bebé!

 

Ser mãe é cansativo? Claro que é! Eles exigem tudo e nós damos mais que tudo! Mas para poder dar, é preciso que eles queiram receber... São eles que decidem até quando querem receber... Quando se aproxima de mansinho o Monstro da Adolescência vem acompanhado pelos seus amigos do peito Egoísmo e Egocentrismo! Aí os filhos começam a afastar-se... Surgem as dúvidas e o medo de que talvez o que demos não seja nunca mais com carinho relembrado.

 

Calma, eu sei que não me devo queixar! Eu sei que o afastamento na adolescência é saudável e imperativo para a construção da autonomia necessária e indispensável à vida adulta! Mas caramba... às vezes apetece-me travar o tempo! Sim! Outra vez eu e o tempo!

 

Além de que sou uma mãe divorciada! Existe por acaso alguma mãe divorciada que não saiba o que é sentir a raiva, e sim estou mesmo a escrever RAIVA, a raiva que se sente quando se tem os filhos em tempo de aulas, com as rotinas e as responsabilidades... e quando vêm as férias vão para o pai! Os papás fixes das férias versus as mamãs chatas da rotina e da responsabilidade! 

 

Sim claro que fico feliz pela fantástica relação que têm com o papá... Mas caramba, às vezes fico a pensar e a ruminar sobre o que irão eles recordar quando forem grandes? Os anos em que carinhosamente limpei lágrimas e com eles ao colo passei, pacientemente, noites e noites em claro, os anos das perguntas e respostas constantes e das histórias de encantar, os anos das brincadeiras e dos jogos simples (antes desta malfadada fase de videojogos que eu, mesmo que quisessem a minha presença, seria incapaz de entender quanto mais de jogar!) esses anos, esses momentos mágicos da infância, já se apagaram da mente deles... E quando crescerem vão ficar as fantásticas lembranças das férias divertidas com o pai e eu vou ser lembrada como a mãe chata... E sim isso hoje deixa-me com raiva!

  

Raiva! Inveja! Todas as emoções negativas que se podem imaginar! Sim, afinal sou só humana... E sim, custa-me vê-los crescer e deixarem-me ficar cada vez mais para trás... E pior, mais me custa perceber que eu sou a velha chata e o papá é o papá cool das férias divertidas e inesquecíveis!

 

Claro dir-me-ão as mães mais sábias e tranquilas (grupo ao qual eu até, por norma, costumo pertencer) que eu também cresci, que eu também saí de casa, que eu também me afastei dos meus pais na adolescência! E dirá quem me conhece e conhece os meus filhos e sabe da fantástica relação que afinal tenho com eles: "Mas de que te queixas tu? Tens tanta sorte! Os teus filhos não te dão problemas! E blá, blá, blá!"

 

Mas hoje não quero saber de racionalizar!!! Hoje quero mesmo é soltar a RAIVA!!!! 

 

17
Dez17

Love & Me...


Cristina Ferreira

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Tenho 44 anos e obviamente já não acredito no amor! Love sucks! Love fails and just does not exist! Os homens usam as mulheres, as mulheres usam os homens... E quando já não servem deitam fora! Caso encerrado!

 

Encontrei o verdadeiro amor na maternidade: um bebé, um filho, aceita-nos incondicionalmente! Gorda, feia, despenteada, com borbulhas, de pijama ou camisola rafada! A mamã é a mamã! A mamã é o centro do mundo! A mamã é especial e ponto final! Especial porque está lá, especial pela companhia, pelas conversas, pelo carinho, pelo miminho... Sim isso é amor! Amor verdadeiro, sem condições nem imposições... Eu amo, tu amas... Eu estou aqui para ti e tu estás aí para mim... Amor de verdade que preenche e vale a pena...

 

Mas os filhos vão crescendo... E ou se prendem ou se libertam... E o verdadeiro amor liberta, certo? Fica o medo, o vazio, a solidão, o incerto... Mas eu deixo-os voar... A muito custo, digo que sim quando me apetece dizer que não... "Sim! Claro... vai!" quando me apetece gritar bem alto: "Não! Por favor fica! Não cresças e não me abandones!"

 

Naquela fase da minha vida em que eu já não acreditava em nada, apareceu o meu M. ... O meu M. é diferente dos demais. Não é um príncipe encantado e não tenta transformar-me numa princesa.... O meu M. acompanha-me e ajuda-me simplesmente a voltar a ser eu... Nas "horas vagas", em que eu já não posso, por culpa do auto-afastamento das outras duas partes interessadas neste meu contrato de maternidade, ser a mamã a tempo inteiro, estou a reaprender a ser a Cristina...

 

A Cristina desapareceu quando a mamã apareceu e eu já nem me lembrava que ela existia. O meu M. ajudou-me a reencontrá-la... Não, não é que tenhamos encontrado o amor romântico do "E viveram felizes para sempre!" Não, pelo contrário! Com o meu M. aprendemos, passo a passo, dia após dia, que podem coexistir dois corpos no mesmo espaço sem nenhum dos dois sufocar... Aprendemos que discutir pode ser apenas conversar, readaptar, ceder, aceitar... e acima de tudo avançar! Avançar e lentamente recomeçar...

 

Claro que fico sempre desconfiada e com um pé atrás! É dificil voltar a confiar e acreditar que poderá haver vida para lá de um ninho de mamã vazio... Mas o meu M. veio para me mostrar que pelo menos existe um "talvez"... e que o respeito e o companheirismo existem e na verdade só precisam de um sofá para se enroscar e, no inverno, se possível, também de uma mantinha!

 

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