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Daily Routine by Cristina Ferreira

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Daily Routine by Cristina Ferreira

15
Jan18

Olhar o mar.. ou amar?...


Cristina Ferreira

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Por mais teorias que se inventem sobre a importância da solidão e o aprender a viver sozinho, continuo a achar que é tudo treta e que na verdade poucos são os que gostam, querem ou conseguem estar sempre sós!

 

Separei-me há 8 anos atrás... Inicialmente, e apesar da inevitável dor causada pela separação, adorei a sensação de liberdade novamente adquirida! Ao meu lado, a absoluta certeza de que só sozinha conseguiria caminhar em direção à tão buscada felicidade! "Todo o espaço e tempo disponíveis na minha vida são agora só para mim e para os meus filhos!" pensara eu, e com convicção, na altura... Doce ilusão!

 

Se os esporádicos fins de semana sem os meus meninos até se foram tornando suportáveis, as férias não! Foi aliás nas primeiras férias em que eles partiram com o pai, e apenas durante uma semana seguida, que eu senti, pela primeira vez, que um dia eles iriam partir para sempre e que para sempre eu iria ficar sozinha!

 

Foi aí que começou a minha luta com o tempo, foi aí que eu percebi que o tempo voaria e foi aí que eu percebi que eles iriam crescer a uma velocidade que eu jamais iria conseguir controlar!

 

"Ainda és jovem! Ainda és bonita! Logo casas outra vez!" repetiam à minha volta... Mas eu só pensava: "E os meus filhos? Como se introduz uma nova pessoa na vida deles sem ocupar espaço? Como posso eu sequer ter tempo, "concentração" ou até "disposição" para um relacionamento sem roubar o tempo deles?..."

 

Eu sei, eu sei! Dirão as mães mais práticas e experientes que eu penso demais! E sim, talvez seja verdade... Mas os meus filhos são os meus filhos e, digam o que disserem, façam o que fizerem, os meus filhos foram e serão sempre a minha prioridade... Pelo menos enquanto eles assim o desejarem... E sim, friso: "assim o desejarem" pois sei que isso está e vai continuar a "mudar"... E, foi e é, esse "mudar" que me permitiu começar a sentir e a usufruir de "alguma liberdade"...

 

Inicialmente, quando eles partiam de férias, eu tentava sair, divertir-me e até conhecer novas pessoas.... Mas quando eles voltavam, eu sentia-me novamente completa e preenchida e, uma pessoa nova que tentasse entrar num mundo que só a nós os três pertencia, tornava-se inevitavelmente, e a curto prazo, um invasor mal recebido!

 

Um dia decidi que bastava: ia seguir à riscas as teorias da solidão e que se lixasse quem me queria voltar a casar! Não adiantava eu tentar enganar-me: os meus filhos eram o centro da minha vida e ninguém ia conseguir entrar para ficar! Confesso que começou por correr bem ... Mas aí conheci o meu M.!

 

O meu M. foi diferente... Não pressionou, não exigiu, não invadiu... Aceitou e admirou a mãe que eu era, a mãe que eu sou e a mãe que eu, espero, continuarei a ser... Mas nesta que é, quiçá, uma fase de transição, em os meus meninos já não me "querem" a tempo inteiro e são os primeiros, ao domingo à tarde, a "despachar-me" com um carinhoso: "Vai mamã! Vai ter com o teu M.!" para assim poderem ficar tranquilos a jogar on-line com os amigos, agora sim, eu vou sem remorsos e sem culpa... Deixo a mamã em casa e levo apenas comigo a Cristina que sente que já tem o direito de voltar...

 

Há uns anos atrás, quando ainda vivíamos, em família, em Viana do Castelo, íamos frequentemente os quatro passear à beira mar. Com o meu, na altura, ainda marido observávamos perguntando-nos, sem conseguir entender, qual seria o prazer de ficar apenas dentro do carro a olhar o mar... Gozávamos dizendo que, aquele ato repetido por ocupantes de inúmeros carros estacionados alinhados, lado a lado, ao longo da praia, devia ser alguma elaborada e enraizada tradição Vianense!

 

Ontem fui com o meu M. à beira mar. Estava vento e ficámos no carro. Lembrei-me de Viana percebendo que, num casamento, ou numa vida em que já não se é feliz, se quer mais e sempre mais: sair, passear, fazer mil e uma coisas para disfarçar e ocultar a infelicidade que vai chegando e se instalando... 

 

Às vezes sinto-me a oscilar entre dois mundos... Num ainda sou só a mamã, noutro volto aos poucos a ser também a Cristina... Uma Cristina que agora até consegue, num domingo à tarde, ficar feliz, quentinha no carro à beira mar, simplesmente a olhar o mar ... e a amar... 

12
Jan18

Diário do "bipolar"


Cristina Ferreira

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 Diário do "bipolar"

 

 

Porquê o Diário do "bipolar"? Simplesmente porque sim... Simplesmente porque se ousares lá entrar vais ler, sonhar e acreditar que sim...

 

Se com o meu sim não te convenci, lê a introdução do autor...  Improvável a escrita do Lindolfo Alexandre não te encantar!

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

11
Jan18

Ter um filho é um ato de egoísmo...


Cristina Ferreira

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Passei há uns tempos por um blog de uma mulher que se questionava sobre ter ou não ter filhos. Após leitura de alguns dos seus posts percebi que a decisão no casal já estava tomada. Ela ainda tinha algumas dúvidas pois os textos do blog transmitiam como que um pedido de socorro, uma urgente necessidade de aprovação de que a decisão tomada era a mais correta... Apesar de talvez, no fundo do seu coração, ela própria saber que queria mais...

 

Com o marido haviam decidido que não deviam ter filhos por causa da instabilidade e incerteza que hoje em dia no mundo se vive, pois esta leva inevitavelmente à crença de que qualquer nova criança que nasça virá certamente a sofrer...

 

O telefone tocou, eu fechei a janela do blog e não a segui, nem tive tempo para comentar... Quando mais tarde voltei aos blogs já não a consegui encontrar.

 

Identifiquei-me com algumas das suas palavras. Desde que me lembro de mim que sonho ser mãe e ter uma grande família. Cresci com um irmão rapaz e sentia falta de mais companhia. Desde tenra idade que o meu sonho de familia ideal eram 4 filhos! Por diversas razões, fiquei pelos dois, mas como costumo dizer, tenho dois que valem por quatro!

 

Por volta dos meus 20 anos senti, no entanto, aquela mesma preocupação... Todos nós temos momentos em que nos sentimos infelizes, perdidos, desorientados... Senti nessa altura que ter um filho poderia ser um ato de egoísmo... Criar um novo ser apenas para nosso deleite pessoal, sem termos a possibilidade de lhe garantir que será para sempre feliz é egoísmo...

 

Casei aos 25 anos e aos 27 já não consegui continuar a fugir ao chamamento do meu relógio biológico... Tomámos a decisão, fiz os exames necessários, primeira tentativa e no mês seguinte estava grávida! A gravidez correu bem, o meu bebé nasceu perfeito e de um parto sem qualquer complicações. Dois anos depois nova gravidez, mais uma vez sem problemas e mais um bebé saudável!

 

Se me continuei a questionar? Para mim, os meus filhos foram e são a melhor coisa que me aconteceu... Para eles? Sim, até hoje são felizes... Se o vão ser para sempre? Não sei...

 

Mas sei que a responsabilidade da decisão foi minha... Quando um dia os vir sofrer, quiça por causa da instabilidade, por amor, por doença ou por dúvidas existênciais, sim vou certamente sempre lembrar-me que a decisão de os ter foi minha! Fui eu que egoisticamente decidi ter 2 filhos... Sim ter um filho é um verdadeiro ato de egoísmo...

 

10
Jan18

The Gaming Disorder...


Cristina Ferreira

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Imagem www.independent.co.uk

  

"Semanalmente, milhares de mesas são vítimas de agressão por parte de jogadores descontrolados! E nenhum tipo de mesa lhes escapa: secretárias, mesas de centro de sala, mesas de jantar, mesas de cozinha e até mesas de cabeceira! Basta para isso estarem à mão, ou ao pé, de receber quando a frustração de perder o jogo chegar!"

 

Este parágrafo não foi obviamente transcrito de nenhum jornal famoso nem escrito por nenhum psiquiatra mundialmente reconhecido! Foi apenas a piada que o meu descendente mais jovem inventou para acalmar a minha preocupação quando há pouco falámos sobre a recém chegada GAMING DISORDER... Mas vamos por partes....

 

Quem sou eu para falar de GAMING? Sou apenas uma mãe e, como provavelmente grande parte das mães da minha faixa etária, não compreendo nada de jogos "modernos"! Aliás as minhas humildes experiências com jogos "modernos" limitam-se ao clássico TETRIS, à loucura pelo Farmville que mais tarde substitui pelo Hay Day e às horas perdidas a jogar Candy Crush... Conheci, alimentei e até joguei alguns jogos do pequeno POU... E no verão passado joguei o Palavra Guru!

 

Tudo joguinhos saudáveis: eram jogos "lentos" e sem pressão, sem qualquer competição e a interação on-line, quando existia, acabava por ser de cooperação. Tudo saudável, certo? Atire a primeira pedra quem nunca jogou!

 

Mas há os outros jogos: os que eu não conheço, os que mesmo que eu conhecesse seria incapaz de jogar... O GAMING é para mim um mundo à parte! E não falo só dos jogos mas de tudo o que gira à volta do mundo GAMING: desde a linguagem específica altamente estruturada que nem me atrevo a utilizar (apesar de muitas expressões já me terem sido explicadas dezenas e dezenas de vezes), à enormíssima panóplia de acessórios disponíveis nas lojas de tecnologia.

 

O GAMING é certamente um negócio altamente lucrativo! A primeira vez que numa Media Market me aproximei da secção GAMING, veio-me à cabeça a expressão Killer d'adolescents! À disposição das carteiras mais recheadas encontram-se em exposição vários artigos de estética agressiva e colorida: sofisticados computadores GAMING, assustadores ratos GAMING, luminosos teclados GAMING, potentes head phones GAMING, e, entre outros, as minhas prediletas: as fabulosas cadeiras GAMING! Cadeiras cujo design altamente robusto e agressivo parecem saídas de um filme de ficção cientifica e são certamente acessório de topo para completar a decoração de qualquer quarto de adolescente! Tudo idealizado ao pormenor para criar um universo onde ficar presos, com muito glamour e estilo, o dia inteiro!

 

Se antigamente a preocupação dos pais eram os filhos adolescentes que queriam sair de casa e tranquilos ficavam os pais cujos filhos em casa ficavam, nos dias de hoje um adolescente em casa é muitas vezes sinónimo de adolescente agarrado ao computador, ao tablet ou ao telemóvel! GAMING...

 

2018 começou com o reconhecimento pela World Health Organisation da GAMING DISORDER: transtorno mental causado pelo vício em vídeo-jogos. Fiz uma pesquisa para perceber mais um pouco... E, por exemplo, neste artigo Gaming addiction classified as disorder by WHO a BBC ainda realça: "According to an Oxford University study, boys are more likely to spend time gaming than girls."  

 

Sendo mãe de dois rapazes adolescentes que sempre deixei jogar, confesso que fiquei preocupada... Deixei jogar não só porque parecia inofensivo mas, e reconheço, porque assim eles estavam ocupados e eu tinha tempo para fazer as minhas coisas...Mea culpa... 

 

Nós, mães e pais do século XXI, estávamos preparados para alertar para aquilo que achávamos ser os perigos na nossa adolescência: álcool, tabaco, drogas, cuidados a ter ao iniciar a vida sexual. Não existiam as redes sociais, mas é puro bom senso saber alertar sobre perfis falsos... Agora a GAMING DISORDER? Dá que pensar... 

 

 

04
Jan18

New year, new life? Bullshit!


Cristina Ferreira

 

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Não fiz nada na Passagem de Ano! Antes da meia noite já eu estava a dormitar no sofá em frente à televisão... Acordei em sobressalto com o estrondo dos foguetes que apregoavam a chegada do Novo Ano! Limitei-me a olhar para o relógio e a pensar: "Ah ufff! Já é meia-noite! Já posso ir dormir!" E fui para a cama...

 

Às vezes pergunto-me se me deveria divertir mais... Deveria "DIVERTIR-ME MAIS!" ser uma das minhas resoluções de Ano Novo? Se me divertisse mais, a minha vida seria mais vivida? Na verdade a única coisa que a minha vida me pede é rotina! Gosto de rotinas. A única resolução que na minha mente ecoava ao entrar no Ano Novo era "VOLTAR À ROTINA!": deixar o mais rapidamente possível o Natal e o Réveillon para trás! 

 

E se vivêssemos numa ilha deserta, cada um isolado na sua? Ou se vivêssemos todos juntos mas sem imposições sociais ou rituais? Ou se, especificamente, vivêssemos sem acesso a qualquer tipo de comparações interpessoais? E se nunca ninguém tivesse inventado festejar o Ano Novo com pompa e circunstância? Será que eu sentiria esta mesma obrigação, tristeza, desilusão, frustração... Nem sei na verdade como a hei-de batizar... Sentiria eu isto que sinto por não ter feito nada de "verdadeiramente especial"?

 

Estarei a ficar velha? Se sim, aquele "velha" que acumula sabedoria? Ou aquele "velha" que se torna chata e rabugenta?  

 

Admiro as pessoas que determinadamente ainda fazem listas de resoluções de Ano Novo. Confesso que quando era "nova" também as fazia: elaborava cuidadosa e afincadamente a minha extensa lista e acabava por não cumprir nenhuma das resoluções a que ilusoriamente resolvia empenhadamente dedicar-me a partir do Ano Novo! Até porque se há algo que é necessário corrigir, mudar ou alterar, se é necessário criar uma nova rotina, não é necessário esperar. Esperar pelo Novo Ano é muitas vezes apenas iludir e adiar... E adiar é procrastinar... E procrastinar é muitas vezes acabar por nunca fazer!

 

A necessidade de mudança, de aperfeiçoamento e de auto-correção, faz parte de nós, do nosso dia a dia. A nossa lista de resoluções deve ser diária e não anual... Até porque o "próximo ano" é só o "próximo dia" e o Ano Novo é só o dia seguinte...

 

O ser humano é um animal de hábitos e os hábitos são difíceis de mudar. Quanto maior for a lista, maior a mudança exigida e maior provavelmente a ilusão e consequente desilusão... Ajuda termos um marco, uma data marcada? Talvez... Mas acima de tudo o importante é aceitarmo-nos, conhecermos as nossas necessidades e os nossos limites, e ir mudando gradualmente aquilo que é preciso mudar. Mudar quando sentimos o alerta, quando soa o sinal: quando o corpo ou quando a mente nos pede. Mudar já, mudar agora! Viver dia após dia e parar de esperar...

 

E, já agora, com ou sem resoluções, a todos um bom ano!!! 

 

03
Jan18

Hoje? Regresso e euforia matinal!


Cristina Ferreira

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Hoje o dia começou com uma louca euforia matinal devido ao, por mim tão esperado, regresso à rotina! Sim: EUFORIA matinal!! Sim: tão ESPERADO regresso à rotina!! Finalmente acabaram as férias escolares e os meus meninos voltaram!

 

Fui buscá-los ontem ao aeroporto. Aprendi a detestar aeroportos, se é que isso se pode aprender, se é que se pode detestar aeroportos! Aquela multidão eufórica a partir ou a chegar e eu ali, algures pelo meio, sozinha... A sentir-me triste e abandonada quando os vou levar... Ansiosa e com receio quando os vou buscar...

 

Às vezes pergunto-me se as mães não divorciadas, aquelas "felizardas" que têm a sorte de ter os filhos com elas o ano inteiro, se questionam tanto como uma mãe divorciada... Apesar de eu saber que o risco é mínimo, aliás na verdade e no nosso caso, totalmente nulo, pergunto-me sempre, quando estão fora e antes de regressarem, se não me irão desta vez pedir para mudar permanentemente para casa do pai...

 

Quando chego ao aeroporto, fico ali parada, qual barata tonta, junto à Saída das CHEGADASbalançando o meu olhar entre o placard e multidão que vai chegando...

 

Landed... O avião dos meus meninos aterrou às 13h33... Quase 10 minutos de atraso... Examino os rostos que vão saindo procurando as suas feições familiares... O meu coração de mãe acelera... E se desta vez me olharem fria e inexpressivamente? E se for desta vez?... Verdade que eu falei com eles todos os dias... Mas foram sempre tão curtas conversas e em tão breves minutos pois estavam sempre tão ocupados!  E se desta vez não trouxerem carinho nem afeição no olhar? 

 

Não, isso nunca aconteceu e obviamente ontem também não! Recebi os sorrisos carinhosos e os abraços calorosos de sempre! Na viagem de volta, narraram aventuras das férias e ao chegar a casa voltaram para a rotina habitual como se nada tivesse acontecido... Como se não tivessem partido... Como se não tivessem voltado...

 

De onde vem o meu medo afinal? Da consciência de que tudo tem um fim?... Das histórias que ouço sobre divergências entre pais divorciados que afinal em nada se assemelham com o nosso caso? Ou simplesmente do sentimento de que quando vão para tem não só o Natal e o Réveillon, mas a vida que eu sempre sonhei para eles... mas sem mim...

 

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ENTRE O COMEÇO E O FIM... Uma nova rotina... Um NOVO BLOG

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