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Daily Routine by Cristina Ferreira

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Daily Routine by Cristina Ferreira

01
Fev18

A procrastinação!


Cristina Ferreira

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Procrastinação: ato ou efeito de procrastinaradiamentodelonga

in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa

 

 

Sonhar acordado em vez de trabalhar ou estudar? Divagar, dar prioridade a tarefas ou actividades não prioritárias? Adiar a realização daquela tarefa ou o estudo daquela matéria seca demais... até não poder mais adiar porque o tempo urge e o adiável converteu-se em obrigatório? No meu tempo chamavam-lhe preguiça, desleixe, irresponsabilidade, falta de produtividade... Palavras e expressões provavelmente demasiado pejorativas, grosseiras e indelicadas foram hoje substituídas pela tão em voga palavra procrastinação!

 

Reconhecida como moda, é quase um orgulho saber procrastinar! Somam-se os artigos sobre dicas para combater a procrastinação: desde aprendermos a aceitar a nossa aptidão inata para a procrastinação e não nos repreendermos injustamente por ela, passando por elaborar listas, dividir tarefas em blocos de tempo, aprender a começar pelas tarefas mais difíceis... até ao eliminar das distrações no ambiente que nos rodeia, realçando inclusivé a possibilidade de instalação de Apps concebidas para bloquear Apps que nos possam eventualmente distrair no computador, tablet ou telemóvel! Vale tudo no que toca à tão famosa e popular procrastinação! Tão bom deixar para amanhã o que podemos fazer hoje! 

 

Hoje ao almoço também nós falámos de procrastinação começando com o nosso já tão familiar diálogo do: "Então filho, correu bem o teste?" versus "Correu mamã mas... talvez pudesse ter corrido melhor... Para  a próxima vou começar a estudar mais cedo..." O dilema dele: criar uma rotina de estudo diária! O meu dilema: como é que uma mãe que também procrastina ensina um filho a não procrastinar?!

 

Já racionalizámos falando mil e uma vezes dos prós e dos contras, já dei sermões de mãe até não já me conseguir ouvir mais, já alterei rotinas de jantar de forma a podermos libertar-nos mais cedo para estudar um pouco a seguir ao jantar... "Está melhor mamã! Desta vez já comecei uns dias antes... Estou a melhorar!

 

Na ultima reunião da escola, a diretora de turma, professora mais velha e experiente, disse uma frase que me ficou no ouvido: "Eles chegam ao 10º ano muito imaturos e vão melhorando... No 11º e 12º a maioria deles já tem rotina de estudo criada e já consegue subir facilmente as notas... O problema é que as notas mais baixas do 10º ano os perseguem e arruinam a média quando chega o momento de concorrerem para a Universidade!"

 

É verdade que vejo no meu menino grande uma evolução e uma maior maturidade... Ele ainda não sabe o que vai querer seguir mais tarde... Com 15 anos como pode saber? Mas e se a diretora de turma tiver razão? E se a sua maturidade não evoluir suficientemente rápido e lhe arruinar mais tarde a média? E se ele descobrir uma súbita vocação para algo que exija uma média mais alta e for tarde demais? 

 

Hoje ao almoço decidi mudar de estratégia:  deixar de lado a procura das hipotéticas técnicas mágicas de criação de rotinas de estudo e aliviar a pressão! Decidi mostrar-lhe com humor o meu próprio cúmulo da procrastinação: o meu cesto da roupa!

 

Considerando-a uma das tarefas domésticas mais inuteis e açambarcadoras de tempo que algum dia inventaram, decidi deixar de passar a ferro há alguns anos atrás! Só compro roupa prática que não exija cuidados desnecessários para além dos inevitáveis lavar, secar, dobrar e guardar! Tenho um segredo: a máquina de secar. Quando o tempo está humido, seco a roupa diretamente nela, mas mesmo quando a seco no estendal, faço-a passar por lá uns minutos para a aquecer! A seguir quentinha é só esticar e dobrar! Até aqui tudo bem: simplificar e despachar a coisa!

 

Faço tudo metodica e rapidamente até ao colocar da roupa no cesto... Depois no momento de passar do cesto para os roupeiros: procrastino! Nunca consegui perceber porquê, mas a verdade é que pouso o cesto na sala e ele fica ali, por vezes só horas a fio, por vezes até ao dia seguinte... O meu menino grande riu-se e disse que até já tinha reparado, mas nunca associara esta parvoíce a procrastinação! 

 

É dificil educar. Devemos ser exigientes? Sim! Devemos exigir-lhes a perfeição? Não... Às vezes quando não sei o que fazer para o motivar, dou-lhe os meus maus exemplos na esperança de que ao, de alguma forma comigo se identificar, se sinta motivado... E às vezes, não é que resulta?! Hoje passou quase duas horas da tarde a estudar! Com pausas e intervalos, verdade, mas conseguiu! E já até me desafiou para estudarmos os dois lado a lado depois de jantar: ele fica na Física e Química e eu vou para o meu Português! 

 

 

04
Jan18

New year, new life? Bullshit!


Cristina Ferreira

 

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Não fiz nada na Passagem de Ano! Antes da meia noite já eu estava a dormitar no sofá em frente à televisão... Acordei em sobressalto com o estrondo dos foguetes que apregoavam a chegada do Novo Ano! Limitei-me a olhar para o relógio e a pensar: "Ah ufff! Já é meia-noite! Já posso ir dormir!" E fui para a cama...

 

Às vezes pergunto-me se me deveria divertir mais... Deveria "DIVERTIR-ME MAIS!" ser uma das minhas resoluções de Ano Novo? Se me divertisse mais, a minha vida seria mais vivida? Na verdade a única coisa que a minha vida me pede é rotina! Gosto de rotinas. A única resolução que na minha mente ecoava ao entrar no Ano Novo era "VOLTAR À ROTINA!": deixar o mais rapidamente possível o Natal e o Réveillon para trás! 

 

E se vivêssemos numa ilha deserta, cada um isolado na sua? Ou se vivêssemos todos juntos mas sem imposições sociais ou rituais? Ou se, especificamente, vivêssemos sem acesso a qualquer tipo de comparações interpessoais? E se nunca ninguém tivesse inventado festejar o Ano Novo com pompa e circunstância? Será que eu sentiria esta mesma obrigação, tristeza, desilusão, frustração... Nem sei na verdade como a hei-de batizar... Sentiria eu isto que sinto por não ter feito nada de "verdadeiramente especial"?

 

Estarei a ficar velha? Se sim, aquele "velha" que acumula sabedoria? Ou aquele "velha" que se torna chata e rabugenta?  

 

Admiro as pessoas que determinadamente ainda fazem listas de resoluções de Ano Novo. Confesso que quando era "nova" também as fazia: elaborava cuidadosa e afincadamente a minha extensa lista e acabava por não cumprir nenhuma das resoluções a que ilusoriamente resolvia empenhadamente dedicar-me a partir do Ano Novo! Até porque se há algo que é necessário corrigir, mudar ou alterar, se é necessário criar uma nova rotina, não é necessário esperar. Esperar pelo Novo Ano é muitas vezes apenas iludir e adiar... E adiar é procrastinar... E procrastinar é muitas vezes acabar por nunca fazer!

 

A necessidade de mudança, de aperfeiçoamento e de auto-correção, faz parte de nós, do nosso dia a dia. A nossa lista de resoluções deve ser diária e não anual... Até porque o "próximo ano" é só o "próximo dia" e o Ano Novo é só o dia seguinte...

 

O ser humano é um animal de hábitos e os hábitos são difíceis de mudar. Quanto maior for a lista, maior a mudança exigida e maior provavelmente a ilusão e consequente desilusão... Ajuda termos um marco, uma data marcada? Talvez... Mas acima de tudo o importante é aceitarmo-nos, conhecermos as nossas necessidades e os nossos limites, e ir mudando gradualmente aquilo que é preciso mudar. Mudar quando sentimos o alerta, quando soa o sinal: quando o corpo ou quando a mente nos pede. Mudar já, mudar agora! Viver dia após dia e parar de esperar...

 

E, já agora, com ou sem resoluções, a todos um bom ano!!! 

 

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ENTRE O COMEÇO E O FIM... Uma nova rotina... Um NOVO BLOG

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